Marcas Comerciais e farmacêuticos

 

Inúmeras grandes marcas comerciais são frutos de descobertas de farmacêuticos. Essas Maracas conseguiram destaque e força através do desenvolvimento em tecnologias e pesquisas, em seus produtos referências.

As maiores companhias de cosméticos e bebidas mundialmente conhecidas tiveram início a partir de fórmulas preparadas por farmacêuticos. A Coca-Cola Company é um importante exemplo, presente em mais de 200 países, a Marca foi criada no ano de 1886, pelo farmacêutico americano chamado John Pemberton, de Atlanta. Conhecido por manipular fórmulas medicinais, na busca pela cura da dor de cabeça, inventara uma mistura líquida de cor caramelo, que mesclada à água gasosa, era oferecida aos clientes, vendida em sua farmácia nos copos.

A conceituada SHISEIDO, companhia de cosmético do Japão, foi fundada em 1872 pelo farmacêutico Arinobu Fukuhara, chefe da Marinha Japonesa, responsável por abrir a primeira farmácia particular em estilo ocidental do Japão, na cidade de Ginza.

A famosa pomada Vick-Vaporub também está na lista curiosa de produtos mundialmente utilizados pelos consumidores, que foram desenvolvidos por farmacêuticos. Em 1905, o americano Lunsford Richardson criou uma nova pomada à base de mentol e outras essências naturais para atender seu filho, que sofria de problemas respiratórios. O nome do produto é uma homenagem ao cunhado do farmacêutico, que era um de seus mentores, o médico Joshua Vick.

No Brasil, O Boticário começou pelo empreendedor e visionário farmacêutico chamado Miguel Krigsner, abrindo uma pequena farmácia de manipulação em Curitiba, Paraná. O projeto desenvolvido em parceria com médicos dermatologistas teve início em 1977 e chamava-se “Botica”, sua primeira farmácia de manipulação no centro da capital do Paraná. Hoje, a Marca atua no mercado brasileiro e internacional, tornando-se a maior rede franqueadora do país em faturamento e número de lojas.

Estas são algumas das inúmeras curiosidades que cercam a história do universo farmacêutico. Profissionais, que se destacaram pelo seu comprometimento e entusiasmo, direcionados para uma carreira brilhante.

Escrito por Renata Carvalho – Jornalista / Dezembro 2011

Fonte :http://www.farmavagas.com.br/marcas-famosas-criadas/

 

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Discodermolídeo: uma nova arma no combate ao câncer

Câncer é a definição genérica para um grupo de mais de 100 doenças que têm em comum um crescimento inesperado e nocivo de um grupo de células. A célula cancerígena se forma partir de uma mutação genética de uma célula normal. As células doentes (geneticamente alteradas) adquirem características peculiares que as tornam deletérias ao organismo. Tais características são: auto-suficiência em sinais de crescimento; insensibilidade a sinais fisiológicos anti-proliferativos; escape à apoptose; potencial de replicação ilimitado; angiogênese favorecida; invasão de tecido adjacente e metástase.1

Do total de 58 milhões de mortes por diversas causas no mundo em 2005, o câncer foi responsável por 7,6 milhões (13%). Pulmão, estômago, fígado, cólon (maior porção do intestino grosso) e mama são os órgãos mais acometidos por essa enfermidade.2 Dados da Organização Mundial de Saúde mostraram que o câncer, em 2002, já era a segunda maior causa de morte por doenças em países desenvolvidos (Figura 1).3 Vale ressaltar que na subdivisão do gráfico que inclui outras causas estão incluídas AIDS, tuberculose, diabetes, doenças do sistema respiratório, além de causas como acidentes rodoviários e violência.

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Figura 1: Principais doenças causadoras de morte em países desenvolvidos no ano de 2002

Produtos naturais têm se mostrado eficientes quimioterápicos contra o câncer desde a década de 60, quando foi aprovado o uso da vimblastina (Vincapan® da  Rhône- Poulenc) e da vincristina (Oncovin® ou Velban® da Eli Lilly, Vincristina® da Asofarma). Ambos compostos são alcalóides extraídos de vinca – Catharanthus roseus (Figura 2).4,5 No Brasil esta planta ornamental é muito comum sendo conhecida, entre outros nomes populares, como beijo.

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A B C
Figura 2 – A – Catharanthus roseus G. Don – nomes comuns: vinca, vinca-de-gato, vinca-de-madagascar ou boa noite;4 B – vimblastina;5 C – vincristina.5

O discodermolídeo, produto natural isolado pela primeira vez em 1990 por Gunasekera e colaboradores do Instituto Oceanográfico Harbor Branch,6 é produzido por uma esponja de águas profundas chamada Discodermia dissoluta (Figura 3)7 – daí o nome discodermolídeo. Este composto tem despontado como um promissor quimioterápico. Com ação estabilizante dos microtúbulos, o discodermolídeo leva a um bloqueio da progressão do ciclo celular na fase G2/M, uma vez que leva a polimerização da tubulina, impedindo assim a dinâmica normal dos microtúbulos e conseqüentemente da divisão celular.

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Figura 3 – Esponja – Discoderma dissoluta7

O discodermolídeo encontra-se em estudos de fase clínica e tem se destacado dentre outros quimioterápicos devido a algumas características que lhe são peculiares, como:

  1. primeiro agente estabilizador de microtúbulos com estrutura linear;
  2. apresenta atividade imunossupressora tanto in vitro quanto in vivo;
  3. poderoso acelerador do processo de envelhecimento celular, primeiro dentre os estabilizadores de microtúbulo;
  4. potente efeito sinérgico com o paclitaxel.

Vale ainda ressaltar alguns aspectos importantes no potencial farmacológico do discodermolídeo:

  • Em concentrações abaixo de seu limite de toxidez é um imunossupressor altamente potente, com atividade comparável à da ciclosporina A (imunomodulador utilizado clinicamente);
  • Interrompe o ciclo celular na fase G2/M de modo reversível. Após 48 h da remoção do discodermolídeo o crescimento celular retorna às taxas normais;
  • Possui efeito estabilizador da rede de microtúbulos, assim impedindo a ocorrência da mitose. Seu efeito estabilizador é bem mais rápido do que o do paclitaxel;
  • Apresenta citotoxicidade em linhagens resistentes tanto ao paclitaxel quanto a tratamento multidrogas. Enquanto a linhagem SW620AD-300 de carcinoma de cólon se apresenta 930 vezes mais resistente ao paclitaxel do que a SW620, quando se utiliza o discodermolídeo no tratamento, esta resistência é 25 vezes menor;
  • Possui efeito sinergístico quando utilizado em associação ao paclitaxel. Este efeito não era de se esperar já que ambas as drogas parecem possuir sítios de ligação e mecanismos de ação comuns. Contudo, mesmo com os diversos estudos de RMN e modelagem molecular, o modo e a orientação da ligação do discodermolídeo em nível molecular permanece uma especulação. A associação de medicamentos que possuem mecanismos de ação distintos é uma prática nas terapias anticâncer. Um exemplo disto é a utilização do paclitaxel associado à cisplatina;
  • Causa aumento da senescência de linhagens de células cancerígenas. Quando comparado com a doxorubicina (fármaco padrão para testes de senescência) e com o paclitaxel, o discodermolídeo mostrou ação moderada a alta quando comparado a este medicamento;
  • Tem potencial de aplicação no tratamento de doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer. Um artigo publicado, em 2005, no PNAS8 intitulado “Microtubule-binding drugs offset tau sequestration by stabilizing microtubules and reversing fast axonal transport deficits in a tauopathy model”, abriu a possibilidade da utilização de fármacos com efeito estabilizante dos microtúbulos no tratamento de doenças neurodegenerativas onde ocorre um desequilíbrio da produção da proteína tau (t)

O (+)-discodermolídeo (Figura 4), fórmula molecular C33H55NO8, um dos enantiômeros do discodermolídeo pertence à classe química dos policetídeos. Sua molécula é formada por uma cadeia linear de dezenove átomos de carbonos ligada a uma cadeia heterocíclica de seis membros. Na cadeia linear encontram-se: quatro ligações duplas entre carbonos (onde três apresentam configuração Z), seis metilas e três hidroxilas secundárias em centros estereogênicos. O anel (d-lactona) contém quatro centros estereogênicos. Há na molécula um total de treze centros quirais. Toda essa descrição tem por objetivo mostrar que o discodermolídeo é um grande desafio sintético.

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Figura 4 – Estrutura química do enantiômero (+)-discodermolídeo

Desde seu isolamento (há 18 anos) 12 sínteses totais foram propostas para o discodermolídeo por oito grupos diferentes de pesquisadores acadêmicos ou da indústria. Conforme a literatura científica da área aumenta, cada vez mais se tem como objetivo uma rota mais econômica e de maior rendimento para este policetídeo. O grupo de pesquisa do Professor Stuart Schreiber (Universidade Harvard, EUA) publicou em 1993,9 pela primeira vez, a síntese total do (-)-discodermolídeo, e, em 1996,10 a síntese do seu enantiômero o (+)-discodermolídeo.

Analisando-se as sínteses totais propostas até hoje para o (+)-discodermolídeo, pode-se observar que sua rota sintética passa sempre por fragmentos similares, os quais sempre apresentam a tríade metila-hidroxila-metila com estereoquímica definida até o produto final (Figura 5).

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Figura 5 – Bloco de construção quiral – tríade metila-hidroxila-metila

O principal motivo que vem atraindo os químicos sintéticos para obter rotas de preparação do (+)-discodermolídeo é o fato de que para se obter 7,0 mg do composto são necessários mais do que 400g de esponja seca. Com essas quantidades mínimas fica inviabilizado qualquer possibilidade de ensaio clínico. Entretanto, este obstáculo foi parcialmente vencido quando, em 2004, um grupo de pesquisadores da Novartis sintetizou 60 g da substância, possibilitando, assim, a realização dos testes clínicos em fase I.

Atualmente, foram relatadas na literatura s ínteses de diversos análogos do discodermolídeo e suas avaliações biológicas. Muitas moléculas bioativas quando sofrem pequenas, porém direcionadas modificações estruturais, podem produzir distintas respostas farmacológicas. Estes análogos têm possibilitado o maior entendimento da relação estrutura-atividade (SAR) desta nova arma molecular na luta contra o câncer.

PARA SABER MAIS:

Smith, A. B., III; Freeze, B. S. (+)-Discodermolide: total synthesis, construction of novel analogues, and biological evaluation. Tetrahedron, 64, 261-298, 2008.

Mickel, S. J. et al., Industrial-scale synthesis. Org. Process Res. Dev. 8, 92-130, 2004.

Haar, ter E. et al. Discodermolide, a cytotoxic marine agent that stabilizes microtubules more potently than taxol.Biochemistry, 35, 243-250, 1996.

Klein, L. E. et al. The microtubule sabilizing agent discodermolide is a potent inducer of accelerated cell senescence. Cell Cycle, 4, 501-507, 2005.

Jordan, M. A. Mechanism of action of antitumor drugs that interact with microtubules and tubulin. Curr. Med. Chem.: Anticancer Agents, 2, 1-17, 2002.

Giannakakou, P.; Fojo, T. Discodermolide: just another microtubule-stabilizing agent? No! A lesson in synergy.Clin. Cancer Res., 6, 1613-1615, 2000.

Hung, D. T.; Chen, J.; Schreiber, S. L. (+)-Discodermolide binds to microtubules in stoichiometric ratio to tubulin dimers, blocks taxol binding and results in a mitotic arrest. Chemistry & Biology, 3, 287-293, 1996.

Glossário

Alcalóide Grupo de produtos naturais que possui em sua constituição pelo menos um nitrogênio.
Angiogênese Mecanismo de crescimento de novos vasos sanguíneos a partir dos já existentes.
Apoptose Morte celular que ocorre naturalmente (de modo programado) sem que haja necrose celular causada por doença.
Centro estereogênico Átomo (no discodermolídeo do elemento carbono) de uma molécula no qual a troca de posição de grupos ligantes produz um par de estereoisômeros.
Ciclosporina A Fármaco imunossupressor utilizado após transplantes.
Enantiômeros Compostos de mesma fórmula molecular que são imagens especulares não sobreponíveis entre si.
Imunomodulador Substância química com capacidade de agir sobre a atividade do sistema imunológico, podendo ser um imunossupressor ou imunoestimulador.
Imunossupressor Substância química com capacidade de inibir ou reduzir a atividade do sistema imunológico. Os imunosupressores são utilizados para controlar rejeição de órgãos transplantados.
Lactona Função orgânica que tem como característica um éster cíclico.
Metástase Espalhamento de lesões tumorais a partir de uma lesão inicial sem que haja uma ligação direta entre elas.
Microtúbulos Componente do esqueleto celular formado por um polímero da proteína tubulina; envolvido direta e fundamentalmente, no processo de divisão celular.
Paclitaxel Fármaco utilizado como quimioterápico que possui ação sobre a divisão celular. Trata-se de um terpeno extraído de Taxus brevifolia.
Policetídeo Grupo de moléculas conhecidas como metabólitos secundários produzidos por bactérias, fungos, plantas ou animais cuja biossíntese se dá pela via dos acetatos.
Quimioterápico Substância química com capacidade de matar células tumorais.
SAR Sigla para Structure Activity Relationship – estudo da relação estrutura-atividade de uma série de compostos
Taxol® Um dos nomes comerciais do Paclitaxel.

FONTE: http://www.portaldosfarmacos.ccs.ufrj.br/resenhas_discodermolideo.html

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Polimorfismo e Fármacos

 

A forma mais conveniente e segura de administração de medicamentos é a via oral através do uso de formulações sólidas. No entanto, a eficácia terapêutica dos fármacos está diretamente relacionada às suas características estruturais cristalinas (polimorfismo), ao hábito cristalino (morfologia) e ao tamanho de partícula [1].

O polimorfismo foi descoberto, em 1821, pelo químico alemão Eilhard Mitscherlich e definido por McCrone [2] como a capacidade de uma molécula (fármaco) existir em mais de uma forma ou estrutura cristalina.

A identifica ção, caracterização e controle eficiente das formas sólidas de um fármaco é conhecimento estratégico para garantir a qualidade dos medicamentos e proteger a propriedade intelectual. Este tema vem ganhando espaço no Brasil e recentemente foi objeto de um simpósio latino americano realizado na Universidade Federal do Ceará.

A principal técnica para a caracterização de polimorfos é a cristalografia de raios-X. No entanto, devido a dificuldade de obtenção de monocristais de alta qualidade (Figura 1), outras técnicas podem ser utilizadas como espectroscopia de sólidos (RMN, IV e Raman) e difração de raios-X de sólidos amorfos [3].

O controle da forma ou da estrutura cristalina de sólidos é muito importante na indústria farmacêutica. Há bem pouco tempo o polimorfismo era um mistério para os farmacêuticos. Embora com composições químicas idênticas, os polimorfos apresentam propriedades físico-químicas distintas como solubilidade, taxas de dissolução, estabilidade química, cor e ponto de fusão [4].

Figura 1: Análise microscópica de diferentes monocristais de polimorfos.

A grande importância do controle do polimorfismo no desenvolvimento de compostos bioativos de utilidade terapêutica está principalmente relacionada às suas diferenças de solubilidade, as quais podem afetar diretamente a biodistribuição e, portanto, sua eficácia. Um dos exemplos mais conhecidos dos problemas causados pelo polimorfismo na indústria farmacêutica é o do ritonavir (Figura 2), um fármaco utilizado como inibidor da protease do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e usado no tratamento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Lançado pela empresa Abbott, em 1996, sua formulação era composta por apenas um polimorfo (Figura 2a). Em 1998, mesmo utilizando processo idêntico de síntese, o ritonavir passou a apresentar graves problemas de solubilidade devido ao aparecimento de um segundo polimorfo que impedia sua formulação original (Figura 2b). A Abbott teve sérios prejuízos financeiros com este episódio, além de ferir sua imagem, pois precisou retirar o medicamento do mercado até encontrar uma nova maneira de produzir exclusivamente o primeiro polimorfo [5], deixando sem acesso ao tratamento os pacientes que utilizavam este fármaco.

Figura 2: Formas polimórficas do ritonavir: a) Forma I, forma original; b) Forma II, que começou a aparecer em 1998 [5]

Apesar dos grandes investimentos feitos pela indústria farmacêutica, ainda não é possível prever todos os polimorfos estáveis de um composto farmacêutico ativo (API*) [4]. Esta dificuldade se deve a conversão de polimorfos menos estáveis termodinamicamente em polimorfos mais estáveis e menos solúveis [4].

A cristalização fracionada a partir de soluções é normalmente o método de escolha para a purificação de sólidos orgânicos na indústria farmacêutica. Este processo ocorre em duas etapas: primeiro, o núcleo dos cristais é formado e, em seguida, se expande para formar os cristais [4]. Goodman descreve que o controle na formação destes cristais e das formas polimórficas pode ser obtido através de modificações do solvente de cristalização, do uso de aditivos, de supersaturação da solução, através de modificações dos recipientes de cristalização e fatores externos como radiação infravermelha e ultrasom [4].

O uso de diferentes solventes e/ou misturas de solventes é um dos métodos mais conhecidos para a obtenção de formas cristalinas, no entanto não se dá a devida atenção à questão da saturação da solução. Soluções com diferentes graus de saturação podem gerar diferentes polimorfos [4]. Monocristais isolados podem ser usados para induzir a formação de determinado tipo de polimorfo em soluções saturadas, no entanto, outros aditivos de naturezas diversas podem ser utilizados para forçar a formação de um determinado tipo de cristal (Figura 3) [4].

Figura 3: Esquema mecanístico do controle de formas polimórficas pelo uso de aditivos. Adaptado de [4].

Hoje em dia é possível identificar e monitorar a formação de diferentes formas polimórficas. No entanto, este processo precisa ser realizado desde o início do desenvolvimento de novos compostos bioativos sob pena de, ao fim do processo, obter-se um composto com graves problemas de solubilidade que influenciarão diretamente na sua biodistribuição, reduzindo, assim, a sua eficácia terapêutica [4].

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Inscrições do PET saúde

Estão abertas as inscrições do PET saúde, modalidade monitores bolsistas. Inscrição até o dia 13/8/2012.

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chamadas do programa Ciência sem Fronteiras

Os Formulários  das inscrições do programa  Ciência sem Fronteiras estão  disponíveis a partir de 06/08/2012 e  finalizam em: 14/09/2012 às 23:59h (Horário de Brasília). O suporte ficará disponível somente até às 18h30.

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SÃO COSME E SÃO DAMIÃO Padroeiros dos Farmacêuticos

Especial Dia do Farmacêutico
São Cosme e São Damião foram dois irmãos gêmeos, um médico e o outro farmacêutico, que atendiam os pacientes sempre em conjunto e sem cobrar um centavo pelo serviço prestado. Cosme, como médico, diagnosticava e prescrevia o tratamento. Enquanto Damião, desempenhando o papel de farmacêutico,  preparava os medicamentos que deveriam ser administrados.

Com a história de cura e milagres que teriam intermediado, os Santos Cosme e Damião são considerados padroeiros dos médicos e farmacêuticos. Por conta dos seus conhecimentos científicos aliados à fé, os santos são muito queridos, principalmente, nas promessas dedicadas à obtenção de saúde.

Caixa de ungüentos, frascos de medicamentos e folhas de palmeiras são seus tradicionais emblemas. Há relatos da existência, em certas igrejas, de um óleo santo, com propriedades miraculosas, que lhes levava o nome e tinha o poder de acabar com doenças e tornar férteis as mulheres estéreis.

Como acontece com vários santos, a vida de São Cosme e São Damião é cercada de lendas. É dito que Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e que com a morte de Doum, os outros dois irmãos tornaram-se determinados a aprender e a praticar as artes da cura, para tratar todas as crianças, de forma gratuita.

Inúmeras também são as versões sobre a morte dos “Santos Gêmeos”,  conhecidos ainda como “Santos dos Pobres”. Perseguidos pelo Imperador Diocleciano, implacável perseguidor do povo cristão, Cosme e Damião foram acusados de feitiçaria e de usarem meios diabólicos em suas curas. Condenados à morte, resistiram milagrosamente a inúmeras torturas e por fim, foram decapitados, em cerca de 300 d.C., em Ciro, na Síria.

Dia do Farmacêutico

Inicialmente o culto aos Santos Cosme e Damião deu-se no Oriente, mas no Ocidente também passaram a ter muita popularidade, depois que o Papa Felix IV (526 a 530) ordenou a construção de uma Basílica, dedicada a eles, no Fórum de Roma. A solenidade de consagração da Basílica ocorreu no dia 26 de setembro e assim, Cosme e Damião passaram a ser festejados pela Igreja Católica nesta data.

Em Portugal, 26 de setembro é o Dia Nacional do Farmacêutico, em homenagem aos santos protetores da atividade. Já no Brasil, a data é comemorada em 20 de janeiro, dia em que foi fundada, a Associação Brasileira dos Farmacêuticos (ABF), em 1916, no Rio de janeiro. A ABF surgiu em um momento de dispersão da classe farmacêutica e é considerada por alguns pesquisadores como a “pedra de toque” que operou o milagre do ressurgimento da profissão de farmacêutico no Brasil.

Carinhosamente chamada por seus membros de “A Casa da Farmácia”, além do Museu da Farmácia Antônio Lago, a “Basílica dos Farmacêuticos” abriga também a Biblioteca Rodolpho Albino. Organizada pelo farmacêutico que cedeu o seu nome à biblioteca, a ABF patrocinou a aprovação da 1a edição da Farmacopéia Brasileira e abrigou as discussões que vieram a criar o sistema do Conselho Federal de Farmácia/ Conselhos Regionais, além de importantes associações e sociedades farmacêuticas.

O Dia do Farmacêutico tem como objetivo não só a promoção do encontro entre as várias gerações daqueles profissionais da saúde, que operam em diferentes áreas de atividade, como também, enaltecer, junto à sociedade, os importantes méritos e contribuições da profissão farmacêutica. Uma data de comemoração não só para os farmacêuticos como para todos que desfrutam do benefício do seu trabalhado cotidiano.

Profissionais irmãos

A bonita história de São Cosme e São Damião – que por sua vez é marcada por visões diferentes, dependendo da crença de cada religião – demonstra a complementaridade e interdependência que as profissões irmãs, a medicina e a farmácia, possuem. Talvez o sucesso atribuído às curas milagrosas dos irmãos gêmeos, na idade média, nada mais fosse do que a antecipação da divisão do trabalho, ocorrida apenas no século XIII, onde a farmácia foi separada oficialmente da medicina e considerada uma profissão.

No Brasil, a devoção aos Santos Cosme e Damião está presente desde os primeiros anos de Colônia, é uma herança cultural deixada por brancos e negros. Aqui,  o Dia de São Cosme e São Damião, santos padroeiros dos médicos e farmacêuticos (e ainda dos barbeiros, cabeleireiros e das crianças), é comemorado de forma sincrética. Envolvem católicos, espíritas, umbandistas, praticantes do candomblé e também por cidadãos simpatizantes, sem identidade confessional, de todas as classes sociais.

A Igreja Católica comemora os Santos Gêmeos em 26 de setembro e os cultos afro-brasileiros, onde eles são associados com orixás, um dia depois, 27. Na festa é comum distribuir balas e doces para as crianças, pois pelo sincretismo religioso brasileiro, os santos representam os “Ibejis”, entidades que teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido em troca de doces e guloseimas.

Dizem que quando as crianças não queriam tomar os medicamentos a base de ervas amargas, único recurso de cura na época, para que os pequeninos fossem distraídos e aceitassem mais facilmente o tratamento, Cosme e Damião lhes davam doces com o objetivo de disfarçar o gosto amargo das formulações.

Fonte : http://www.portaldosfarmacos.ccs.ufrj.br/atualidades_diafarmaceutico.html

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Coca-Cola : de produto farmacêutico caseiro a fenômeno internacional.

A Coca-Cola é a bebida que melhor representa o espírito empreendedor norte-americano

No início era apenas remédio – segundo seu inventor, o farmacêutico e militar aposentado John Styth Pemberton. No quintal de sua casa em Atlanta (Geórgia, EUA), passava o tempo inventando fórmulas complicadas, capazes de curar “todos os males do corpo e da alma”: para doenças do fígado (Triplex Pillole) e do pulmão (Gingerina), afinar o sangue (Styllinger) ou escurecer os cabelos (Regina Indiana). Em março de 1885, foi a vez de um tônico reconstituinte contra “enjôo, ressaca, cansaço, exaustão física e mental”, feito a partir de uma mistura de ingredientes vindos de longe: coca (do Peru e da Bolívia), com folhas que eram usadas pelos nativos como estimulante, além de pequena quantidade de cocaína; e cola (da África), cuja noz é rica em cafeína e teobromina, empregada para combater fadiga e sede. Não foi original na escolha desses ingredientes, já usados (embora com proporções diferentes) num xarope produzido na Córsega (França) – o Vin Mariani. Na esperança de que viesse a ser sua mais importante invenção e reproduzindo no rótulo o tipo de bebida e sua procedência, deu o próprio nome ao produto – Pemberton’s French Wine Coca.
Por esse tempo, tratava-se ainda de um xarope escuro, grosso e muito amargo. Insatisfeito, Pemberton continuou acrescentando novos ingredientes à receita original, como ácido cítrico e essências de frutas. Mais tarde, com a colaboração do amigo (também aposentado) Frank Robinson, patenteou a fórmula; trocou o nome para Coca-Cola (inspirado nos seus principais ingredientes); criou logotipo, já com as letras inclinadas que tem hoje; e uma embalagem de atacado, em barris de madeira (antes usados para armazenar uísque) pintados de vermelho – mesma cor que viria, depois, a ser usada nos rótulos do produto. Segundo anúncio no The Atlanta Journal, era “Coca-cola! Delicious! Refreshing! Exulareting! Invigorating!” (“Coca-cola! Deliciosa! Refrescante! Fantástica! Revigorante”). Seu tônico passou então a ser vendido na Jacob’s Pharmacy, ao preço de 5 cents o copo, puro ou misturado com água (natural ou gasosa). Mas não foi um início economicamente promissor. Em média, eram vendidas por dia apenas nove doses. Por todo um ano, apenas 94 litros. Faturamento de 50 dólares, contra 74 aplicados nos gastos com propaganda. Em 1891, doente e quase falido, o pobre Pemberton vendeu sua fórmula a outro farmacêutico, Asa Griggs Candler, por 2.300 dólares. Sem nem desconfiar de que estava fazendo o pior negócio de sua vida.
Candler aperfeiçoou o produto – cancelou a cocaína, reduziu a cafeína, substituiu ácido cítrico por ácido fosfórico, acrescentou glicerina e um saborizante à base de óleo de lima. Assim nascia a fórmula conhecida, até hoje, como “Merchandise 7x”. Um segredo guardado a sete chaves, num cofre do Trust Co. Bank (em Atlanta), que só pode ser aberto com autorização de todos os diretores da empresa. E apenas dois executivos de produção (sem identidade revelada) têm acesso, cada um, à metade da fórmula. Tão grande é esse zelo, que a Coca-Cola preferiu abandonar um país como a Índia, que em 2012 será o mais populoso do mundo, a ter que cumprir ordem governamental de revelar a fórmula. O produto era, nesse início, oferecido em garrafinhas de 185 ml, concebidas por Joseph Biedenharn. Bem diferentes, ainda, daquelas que viriam a ser definitivas, com 200 ml, verdes (no Brasil são brancas), em estilo art nouveau – criadas, em 1915, por Earl Dean. Segundo o próprio artista, inspirada nas curvas do corpo da mulher, escondidas nas saias pregueadas que vestiam na época. Não por acaso a embalagem recebeu o nome de Mae West, um símbolo sexual da América. Deu certo. Sucesso de marketing e de vendas. Candler ganhou milhões de dólares, foi eleito prefeito de Atlanta e entregou o negócio ao filho Howard – que, em 1923, por 25 milhões de dólares, vendeu a Coca-Cola Company a Ernest Woodruff. Logo depois, o velho Candler teve um derrame cerebral e acabou morrendo. Muito triste e muito rico.
Para Woodruff, “Coca-Cola era o sonho americano numa garrafa”. Sua estratégia de venda era “um cartaz em cada esquina, e garrafas de coca em todos os estabelecimentos”. Para conquistar o público infanto-juvenil, em 1931, contratou o publicitário sueco Haddon Sundblom. Assim nasceu – como conhecemos hoje – a figura de Papai Noel. Desde 1881, por conta dos desenhos de Thomas Nast na Harper’s Weeklys, o bom velhinho era magro e se vestia de azul, amarelo, verde e vermelho. Acabou gordinho (como a garrafa) e vestindo as mesmas cores do rótulo (vermelho e branco).

 FONTE http://maniadehistoria.wordpress.com/2009/03/12/pequena-historia-e-alguns-segredos-da-odiada-e-adorada-coca-cola/

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